sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Reflex(ã)o

Não se morre por dentro, por enquanto. Já se morreu, em tempos. Digamos que, presente e interiormente, se está numa transição de Inverno cerrado para uma Primavera que um dia há-de ser bonita, mas que está ainda na sua fase de preparação para o tão esperado florescer.

Uma coisa é saber que se tem um Inverno cá dentro a crescer cada vez mais, alimentando-o todos os dias com pensamentos e comportamentos demasiado cinzentos e, mesmo assim, querer mantê-lo.

Outra muito diferente é saber que se tem este frio que, embora não se veja por fora todos os dias, corrói a vontade de ser e de estar e, mesmo sabendo que o caminho terá picos de pequenas conquistas e derrotas, querer sair desse gelo, quebrar o vidro que separa uma realidade da outra e aglutiná-las numa só. Tentar ver e perceber o porquê desta maneira de pensar e reconstruí-la de forma saudável.

Escrevê-lo e lê-lo assim, parece uma coisa tão simples, tão fácil de perceber e de resolver sozinha. O problema é que sozinha não se quer ver as coisas assim. Sozinha, ver as coisas assim, significa ir contra tudo o que se pensa e se faz todos os dias com a energia que, embora pouca, é suficiente para andar para aí a vaguear. Sozinha, é muito difícil sair e muito fácil voltar atrás para continuar a ser como era. E a prova disso é o facto de eu nunca antes ter conseguido chegar sozinha onde consegui chegar este ano com ajuda. Ainda não cheguei nem a metade de onde se tem de chegar, mas um dia isso vai acontecer!

Mais do que querer mostrar que não se tem medo, quer-se não tê-lo. Ou, pelo menos, ter coragem para o enfrentar e conhecimento para o racionalizar e controlar.

Não ter medo daquilo que me reflecte, nem do meu reflexo, nem das minhas reflexões.

Existem altos e baixos como é natural. Os baixos doem, não sei dizer exactamente onde, mas doem com uma tal força desnecessária que, se estivesse sozinha, muito provavelmente deitaria tudo a perder novamente para voltar à estaca zero. Os baixos dão vontade de desistir, vontade de voltar atrás para nunca ter pedido ajuda e vontade de desaparecer. Mas é preciso confiar no trabalho de quem ajuda e acreditar no nosso progresso feito com o nosso esforço. Esta ajuda ensina, entre muitas outras coisas, a perceber que pensamentos não são factos e que aceitar isso como verdade, por mais estranho e difícil que possa ser, é a direcção mais correcta do caminho a percorrer.

Caminho esse que tento fazer todos os dias, com ou sem sucessos, sabendo que tenho ao meu lado quem me abriu e continua a abrir os olhos, quem me diz a verdade, mesmo que doa, e quem me dá os puxões de orelhas que forem precisos. Verdade? A vocês, que sabem quem são, agradeço-vos do fundo do meu coração, desde os gestos que vos parecem demasiado simples, mas que para mim valem ouro, até às gargalhadas e sorrisos que me enchem a alma e pintam o dia!
Com um carinho muito especial,
Carolina

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O meu coração...

Fotografia tirada por mim.
O meu coração é todo Poesia!
O meu coração é metade Sophia!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Palavras


Minha querida,
Não sei que tamanhas dores tinhas dentro de ti para fazeres o que fizeste. Mas sei que o teu coração estava cheio dessa tua beleza, tranquilidade e doçura. Sei que o teu coração estava cheio de poesia para dar ao mundo!
Se eu imaginasse que a tua dor (que eu sabia que existia) era tão grande assim, ter-te-ia dado as mãos, olhado para ti e ter a certeza que sabias a verdade - que és única e que nada te deveria manchar essa pureza e essa bondade. Que nada nem ninguém te deveria roubar a genuinidade! Devia ter-te dito que eu estava aqui, ou aí, sempre para ti! Devia ter-te dito que estava tudo bem! Devia ter-te dado aquele chi-coração de que tanto falas, gostas e distribuis por quem te rodeia! Não vou conseguir deixar de pensar nos «se». Mas agora já não te tenho para me fazeres uma pessoa mais alegre. Já foste para um lugar onde essa dor não te atinge. Já não te tenho aqui, à minha frente, a melgar-me o juízo daquela forma doce e ternurenta que só tu sabias. O (meu) mundo ficou mais vazio, mais só, mais pobre e mais triste sem ti. Fazes falta! Tenho saudades tuas! Uma eterna saudade deixarás neste mundo.
Só não queria que tivesse sido assim. Tu sabias que podias falar comigo! Podias ter-me pedido o que quer que fosse. Só não queria que tivesse acabado assim. Podias agora estar aqui a dar-me mais um dos teus chi-corações que nunca acabam. Podias estar a ensinar o mundo a ser feliz. Não consigo imaginar o que sentias, para o teres feito desta forma. Agora, só tenho palavras escritas e lágrimas para dar ao papel em tua memória! 
Eras e sempre serás uma pessoa magnífica!
Estarás para sempre no meu coração.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Apneia


Pego, tremendo, numa tesoura fria de metal que estava pousada na secretária do escritório e levo-a comigo, assustada, para a casa de banho, onde me escondo do espelho todos os dias. Estou descalça e o chão está duro e frio. Tenho os olhos fechados e o coração semicerrado, entre aquilo que deve estar e aquilo que não pode. Fecho a porta, apesar de estar sozinha em casa. É uma sensação de segurança diferente. Sento-me, por segundos eternos, no tapete cinzento em frente ao chuveiro e penso em nada. Apenas ali, de olhos abertos, mas sem ver nada. Levanto-me. Respiro fundo e olho para o espelho sem vontade, com medo e de olhos molhados. Vejo quem está à minha frente e agarro numa madeixa grossa, volumosa, de cabelo castanho ondulado com uma mão. Com a outra pego na tesoura, de repente tão pesada, e abro-a por cima dessa madeixa. Sem respirar, apneia nascida da angústia, aperto os meus dedos contra a tesoura e ouço, compassadamente, mil e um cortes minúsculos a darem à luz mechas de cabelo perdido. Silêncio silencioso senti dentro de mim, como se o som desses mil e um cortes minúsculos tivessem morto todo o tipo de som do mundo. Não ouvi mais nada até ao próximo corte. Agarrei noutro par de ondas e apertei a minha mão, desta vez confiante, contra a tesoura. E mais uma vez. E outra. E outra. Até esquecer quem fui. Até esquecer quem sou.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O meu coração é todo Poesia!

Fotografia da minha autoria.
Sabes que não vives sem uma coisa, se não aguentas ficar sem ela durante um dia.
O meu coração também é das Letras!

domingo, 3 de abril de 2016

sábado, 2 de abril de 2016

Mil cigarros

Fotografia da minha autoria.
Mil cigarros e um amor para te esquecer. 
Mil cigarros e um beijo para te fazer desaparecer.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Sépia


Estava a fumar.
No parapeito da janela do seu escritório, estava a fumar. 
E como era elegante a sua silhueta e a sombra do fumo que saía da sua boca, como se dela fizesse parte!
Voltou para dentro, sentou-se na sua cadeira negra de escritório e acabou o cigarro sentada, de lado para a mesa, com a sua pose característica de fumadora. Aquela imagem era digna de ser memorizada. Digna de uma fotografia a preto e branco ou sépia!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Os anjos não caem do céu. Caem da terra... da terra para o céu!



Meu doce, Não tenhas medo de chorar. Arranca o que há de dor nesse coração, porque é na dor que aprendemos a ser tristes e ninguém quer ver um coração cinzento e molhado no lugar da felicidade! Mas não podes ter medo de chorar. Não guardes aí dentro o que tem, inevitavelmente, de sair. Não imaginas o quanto eu queria estar aí, a explicar-te estas coisas e outras tantas sem sentido, só para te ter nos meus braços, enroscadinho no meu colo, com esse cabelo de mel entrelaçado nos meus dedos. As memórias permanecerão memórias no teu coração. Isso ninguém te poderá tirar! Começarás então a perceber que o mais precioso que tens dentro de ti é aquele novelo de pequenos e grandes momentos que viajam contigo para todo o lado, para sempre. O tempo dir-te-á que a saudade não desaparece nem atenua, mas o teu modo de ver o mundo vai sendo cada vez mais maduro e percebes que não há nada que possas fazer para combater a inevitabilidade da passagem do tempo. Perceberás que o tempo passa por todos nós, deixando marcas e cicatrizes, mas também construindo histórias bonitas, fazendo com que as vidas das pessoas sejam uma espécie de onda sem fim definido, com altos e baixos, estes também inevitáveis, mas que fazem parte da nossa aprendizagem neste longo caminho. Não deixes que essa água que não choras te afogue sem te dares conta! Às vezes, precisamos mesmo de a deitar fora para conseguirmos respirar e falar novamente. Deixa os pulmões do mundo soprarem aquela leve e terna brisa que te levanta do chão como se uma pena fosses. Vai chegar o dia em que também tu serás um anjo a cair da terra para o céu! E nesse dia, eu estarei lá para te dar a mão e sorrir para o tempo, que então não será mais tempo, mas sim uma doce eternidade. Estarei lá para te receber nos meus braços vezes sem fim. Estarei (e estou, embora não consigas perceber) viva. Viva em ti! Viva no teu coração! Até um dia, meu doce!

segunda-feira, 7 de março de 2016

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Campo de Batalha


Angústia. Nostalgia.
Um peso enorme no peito. E vontade de deixar a vida.
Ela sentia-se cheia de tudo! E tinha o coração tão vazio!
Pensou como seria o mundo sem ela: não muito diferente. Achou que a sua presença no cosmos era algo superficial, sem valor! E imaginou como seria se se deixasse cair pelo vento: queria que fosse rápido e indolor – algo que lhe roubasse os problemas e lhe oferecesse motivos para sorrir – pois mais dor ela não conseguiria suportar. O seu coração já tinha sido espezinhado com a força suficiente, vezes suficientes. Já não suportava mais lágrimas a afogá-la diariamente.
Regrediu. E se alguém a empurrasse? Não seria injusto? Talvez. Mas ela queria fazê-lo e não que alguém o fizesse por ela. Sentiu o desejo da vingança se o fizessem, contudo sem saber o porquê de tal fúria. Parou. Pensou. Talvez não fosse aquilo que ela desejava, caso contrário, não se importaria se o fizessem.
Respirou fundo e pensou que talvez estivesse a ter um ataque de desespero e que se poderia estar a precipitar. Caiu em si. Deixou a consciência aterrar na sua pessoa. Ouviu vozes doces que soavam do local onde o mar e o céu se encontram. Admirou a beleza do olhar mais profundo que lhe ofereceram e recordou momentos em que lhe deram as mãos e não a deixaram cair. Valia a pena por estas pessoas, não as queria fazer sentir miseráveis, que todo o seu apoio fora em vão. Por outro lado, sentia que não era desejada noutros lugares.
O desgosto voltou a invadir-lhe o ser. Essas pessoas que lhe deram as mãos estariam cá para se apoiarem e haveria, certamente, mais gente para os fazer sorrir (melhores do que ela nessa tarefa, segundo o seu pensamento).
Só queria ouvir a voz do seu filho mais uma vez, sentir-lhe o perfume dos cabelos encaracolados… e faltava tempo para isso!
Deu um passo em frente e colocou todo o seu peso e força no seguinte. Caiu. Mais morta do que viva. E sentia já o aroma de algodão doce que ficava colado às maçãs do rosto do seu rebento.
Caramba, era longe! O tempo que sucedeu não passou de alguns segundos, todavia pareceram-lhe horas! As gotas de água salgada que fugiam do embate forte e violento das ondas na falésia colavam-se-lhe no rosto e os raios dourados do sol tardio faziam-nas brilhar, como diamantes, nas suas pestanas negras e pesadas de tristeza e nos seus lábios já sem cor.
Por fim, sentiu! E não se arrependeu.
O seu corpo, dolorido e estarrecido pelas batalhas em vida, caiu. Embateu em rochedos. Uma onda cinzenta engoliu-o para as suas entranhas. A sua alma, essa, já se encontrava a sorrir com o seu fruto! 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

...


Às vezes, só é preciso um empurrão (e) de umas palavras para conseguires relembrar a chama da tua paixão que se apaga em dias de nevoeiro e que dói a acender no Inverno que há em ti!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Retrato


Era um retrato. Um retrato de uma pessoa muito querida. Emitia uma luz, um brilho, um não sei quê de frescura de felicidade. Um mistério indecifrável nascia naqueles olhos azuis, viajando por entre as partículas da atmosfera até mim, penetrando na minha mente e contando-me histórias fantásticas. Eu olhava, ouvia e sonhava. Aquela postura elegante sobrepunha-se a tudo naquela sala. Os brincos e o gorro sobressaíam pela beleza natural que possuíam. A boca, de lábios finos e encarnados, repousava no rosto seriamente inclinado. O cabelo, de cor imperceptível, caía genuinamente pelo pescoço esguio e perfumado. Toda ela constituía um protótipo de contadora de História(s) rodeada pela magia da paixão. As folhas verdes que a envolviam na tela davam um toque natural e espontâneo à pintura! Acho que a beleza, quando existe, existe para todos! Só os mais distraídos não a vêem!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Quero ser poeta


Quero ser poeta!
Os poetas cheiram a papel e respiram palavras. Eles caminham em passeios de livros e navegam em mares de tinta. E sonham! São sonhadores que vivem felizes com as letras. Sem elas as suas vidas não seriam vidas. Seriam existências em vão. Ou então vidas mortas.
Quero ser poeta, porque os poetas sentem. Sentem tudo... o branco, o negro, o cinzento e o arco-íris. Depois, desenham no papel a dor que sentem e pintam a felicidade que alcançaram. Por vezes, conseguem riscar um passado ou rabiscar um futuro, mas nunca um presente pois tudo o que agora sente, o já não sente da mesma forma e intensidade no momento em que escreve. Conta portanto um passado mais ou menos longínquo ou um futuro mais ou menos inventado.
Quero ser poeta, porque os poetas não morrem. As linhas encantadas que eles criam tornam-se imortais nas páginas incrivelmente brancas e puras. Se uma folha for rasgada em bocadinhos, mesmo que esses bocadinhos sejam do tamanho de um átomo de hidrogénio, nunca deixará de conter escrito tudo o que a alma calorosa lá esculpiu. Se uma folha for queimada, nas cinzas descansarão as doces palavras, ou voarão eternamente as mais ousadas.
Quero ser poeta, porque os poetas são infinitos. As suas almas são diferentes. Não sei dizer o que têm a mais ou a menos que os outros homens, mas têm algo diferente. Talvez tenham sido tocados pela magia ainda desconhecida do cosmos. Sim, magia e sim, do cosmos, porque de cosmogonia sabemos todos pouco ou quase nada, apesar de alguns acharem que muito sabem. Ser poeta não é algo que se explique com teorias e teoremas. É preciso compreender com o coração o intangível do nosso ser. Ser poeta não é explicar. É sentir. É contar. E é ser.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Asas de Vento

   

E lá estava ela! No seu glorioso manto celestial, a voar de forma sublime, como que um guerreiro ilustre, antes do confronto com os inimigos. A brisa primaveril deslizava-lhe pelo bico de bronze e acompanhava o voo das suas asas brancas, cinzentas e sujas de sal proveniente das gotículas de água que se lhe entranhavam nas penas, aquando da sua pesca de alimento (por vezes, manchado pelo óleo negro, espesso e mortal espalhado pelo Homem, no grande lago único) para garantir a sua sobrevivência.
    A tranquilidade do oceano levava-a a nadar calmamente pela ondulação do alto mar, para que o seu espírito recolhesse aquela serenidade e brancura do clima marinho e apreendesse aquele som da boca do mundo a marulhar, a roncar, certas vezes, quando se zangava com as nuvens e provocava as lágrimas do céu, os gritos de desespero e preces do horizonte manchado pela tristeza, quase invisível aos nossos olhos.
   A maresia libertada pela espuma esbranquiçada no rebentar das ondas azuis e brilhantes preenchia também parte da essência da gaivota.
    O seu piar, esganiçado e alterado pelo ambiente silencioso em constante movimento, era testemunha da existência de lugares assim, como aquele, de certa forma paradisíacos.
    A areia dourada nascida nas arribas altas e majestosas da falésia e as restantes rochas com semelhante berço constituíam o porto de abrigo dessas aves.
    Um dia de inverno, esta criatura levantou voo, cansada de si, velha do mundo e extasiada do mar. Foi a última vez que o fez. Foi a última vez que voou! A ela parecera-lhe normal, uma manhã cinzenta e nebulosa, tal como todas as manhãs de uma estação fria e triste, onde o sol se esconde entre as brumas da vida. A meio do seu percurso algo falhou. Sentiu-se cair, sem dor nem alegria, apenas caindo, com aquela normalidade de algo que se desvanece, como se soubesse que chegara a sua hora e que a escuridão da morte a seguraria antes de sentir o seu corpo gélido da água do mar na sua queda! Como se conhecesse o ciclo da vida de um ser vivo temporário neste local pequeno e (des)conhecido.
    Adeus, Asas de Vento! Desfruta desse teu voo que é agora infindo e deixa a tua alma ecoar no mundo dos não vivos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Um sonho é sempre um sonho... e quando é escrito sempre nos parece mais real!


Cheguei à escola. É o meu primeiro dia de trabalho. Os miúdos correm e conversam sobre as férias. Anseiam pela primeira aula para saber quem é o professor. Vozes de crianças e adolescentes invadem o ambiente com que sempre sonhei. As vozes de Amanhã. Muitos Amanhãs. Farei parte de alguns deles. E isso faz-me tão feliz!
Chego à sala de professores tão ansiosa como no primeiro dia de aulas na faculdade. Estudei no Porto. Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Na cidade onde nascem as musas de poetas fantásticos. Ali nasci, ali fiquei. Não tive coragem de abandonar o Douro quando iniciei o meu percurso académico! Hoje, teve de ser. Saí do meu berço inconfundível e incomparavelmente maravilhoso. Fiz as malas há uma semana e viajei até à capital. Mas sinto-me deslocada, como se o Porto se tivesse evaporado e eu já não o pudesse ver mais. Lisboa é uma cidade bonita, mas o Porto é a minha paixão. O Tejo é brilhante, mas o Douro é a luz da minha alma.
Os mais velhos olham para mim por ser uma cara nova. Os mais novos também olham mas mais timidamente. Cumprimento alguns, dizendo um «bom dia» alegre, apresento-me a outros, tentando encontrar os restantes professores de Língua Portuguesa da escola.
Ainda um pouco atrapalhada, tentava encontrar o livro de ponto do 9ºE - a minha primeira turma do meu percurso profissional. O programa era o mais interessante de todos os anos. Continha matérias mais aprofundadas e só gostava da disciplina quem realmente gostasse de Português.
Antes do toque, dirigi-me para a sala, para não me atrasar, pois ainda não conhecia muito bem os cantos à casa.
A campainha solta um grito estridente e ouvem-se, automaticamente segundos depois, passos apressados, uns mais entusiasmados do que outros, a subirem as escadas. Depois as cadeiras a arrastarem no chão, ao contrário daquilo que o professor ordena (e continuará a ordenar, mas sempre sem efeito...). Para certas coisas, não há remédio! Os primeiros alunos entram, sentam-se nas primeiras carteiras, e muito acanhados, dizem «bom dia». Caramba, eu não faço mal! Eu também era assim? Riram-se! É um bom começo... tentar criar laços. Não é a meter medo que lhes vou enfiar Camões na cabeça, muito menos na alma!
A aula foi produtiva. Acho que eles gostaram de mim e eu, pelo menos, gostei deles. É uma turma simpática, apesar de conversadora... resta saber se trabalham bem. Tenho a sensação de que se vai descobrir um ou outro talento na escrita. Vou insistir nesta actividade como tarefa extra e facultativa semanal, contribuindo obviamente para o aproveitamento. Acho importante fazê-lo porque às vezes nem eles próprios sabem que gostam de escrever! Eu, professora Carolina, de Língua Portuguesa, hei-de ensinar as almas a (en)cantar o mundo em versos. Hei-de mostrar aos miúdos que a prosa é o que nos faz cair e o que nos faz levantar. São as palavras em linha recta que movem mundos!
Numa turma, há sempre um leitor compulsivo... mal posso esperar para descobrir qual deles é!
*fictício (escrito em Maio de 2010)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Viagens de um dia


Gostava de viajar. Muito, muito, muito!
Se um dia puder, adorava, antes de conhecer o Mundo, conhecer a Europa e, antes de conhecer a Europa, conhecer Portugal de uma ponta à outra, como a palma da minha mão!
Temos um país tão bonito!
Gostava mesmo de me pôr à estrada, com duas mochilas, máquina fotográfica e blocos de notas. Conhecer as maravilhas lusitanas antes de partir em descoberta de terras estrangeiras. Ter uma espécie de diário gráfico onde registar o que se vê, o que se cheira e o que se come, os costumes e as tradições de cada cantinho. Gravar paisagens e locais paradisíacos que quase ninguém conhece e que recordaremos um dia com nostalgia! Visitar todos os alfarrabistas e mais alguns de todas as regiões... Enfim, levar comigo «portuguesices» e deixar lá «pedacinhos de Carol»!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Homens de guerra


Ouvi uma história... uma história cheia de amargura dos tempos remotos, que nasceu no berço da guerra.
Comecei por ouvir serenamente as palavras que a descreviam, mas a gradação da intensidade dos acontecimentos terrivelmente temidos ia aumentando a minha ansiedade. Em certos momentos pensei mesmo estar lá, presente no maior monstro de toda a História da Humanidade. Mas não! Era apenas uma ilusão, fruto da imensa capacidade de contar histórias do meu avô.
Bravos guerreiros lutavam pela sua vida, mas com maior êxtase pela sua pátria. Ouviam-se gemidos, gritos e ruídos por todos os lados… O soprar das flechas e o estrondoso magnífico cavalgar dos cavalos de guerra arrepiavam-me! Os sons bélicos eram diversos e incontáveis, capazes de fazer adormecer eternamente várias centenas de soldados. Os infinitos crepúsculos e as inacabáveis auroras pareciam ser cada vez mais encarnados, tingidos pelo sangue derramado por gloriosos homens cuja coragem e fé eram infindas. As noites eram negras como o medo. Os dias eram cinzentos e nebulosos cheios de poeira de corridas, lutas e batalhas. As trincheiras inundavam-se de mágoas, saudade e da pior criatura criada pela imaginação – o ódio!
Os soldados e cavaleiros equipados com elmos, escudos e espadas combatiam arduamente tentando alcançar a vitória definitiva. No entanto, aquele pesadelo parecia não ter fim… Muitos deles estavam já lânguidos e macilentos!
Finalmente, numa madrugada diferente de todas as outras, ouvira-se o som da corneta que anunciara o final tão esperado. Nem vivalma se mantinha em pé! Alguns ciciavam para si mesmos, agradeciam desesperadamente, como se não houvesse amanhã, rezando, por estarem vivos. Depois, alguns desabafos tão duros e severos! Enquanto aqueles que restavam dos derrotados voltavam para as suas origens, os vencedores, homens verdadeiramente patriotas, celebravam a vitória esplendorosa!

Coração de Mar


    Os seus olhos azuis e brilhantes cintilavam como duas pérolas no seu rosto velho, enrugado e queimado pelo sol. As suas mãos, tratadas como o rosto, pareciam chorar e gritar ao vento pelo repouso. Ele não as ouvia, tinha os ouvidos tapados por preocupações e previsões. A sua boca salgada deixava escapar no marulhar confuso das ondas cantigas perdidas no tempo e assobios de avô!
    Havia noites em que se deixava engolir pela boca do mundo, no seu barco «Ulisses», tendo lutas incontáveis com o maior monstro da Terra. Sempre disse que, se nasceu no Mar, haveria de lá morrer também. Acrescentava ainda (como gente sábia) que, apesar das longas, duras e negras batalhas travadas com ele, não deixaria de ser o seu melhor companheiro. Afinal, a sua vida tinha sido dedicada a tal natureza.
Passava crepúsculos e auroras, perdido na «intemporalidade» e na imensidão do Nada (ou do Tudo!), olhando para a linha que separa o céu do mar e para o sol e para a lua que chegavam a partilhar o céu amigavelmente. As restantes estrelas, essas, apareceriam mais tarde, quando o escuro da alma da noite decidisse aparecer.
    Depois, o trabalho! Trabalho árduo: lançar as redes. Esperar. Retirá-las mais pesadas do que aquando do seu lançamento. Separar o peixe… O odor horrendo do alimento saudável tinha-se agarrado de tal forma ao seu nariz que a sua presença lhe era já indiferente.
    Perguntei-lhe, depois destes minutos observadores, se não estava cansado. E ele, com marcas do tempo no rosto de variadas formas, respondeu-me que sim, que às vezes desejava adormecer no barco e acordar em lugar algum diferente.
    Homem triste este Coração de Mar!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Está lindo!


Tão colorido que nos faz querer entrar lá e cantar e viver com eles!

Mariposa


   Abriu as asas. Voou sublimemente. Pousou na dourada poeira de pólen de uma margarida, devagar. Sem pressas nem stress. Sem a fadiga que os humanos sentem para chegar a todo o lado, a toda a hora! Apenas com calma, serenamente. Depois, voltou a voar (desta vez, com as suas patas minúsculas cheias de um néctar sumarento).
   Encontrou então uma andorinha que levava no bico alimento para as suas crias e decidiu perguntar-lhe qual a sensação de voar com tal rapidez e perspicácia. Ela respondeu-lhe com um sorriso (seja como for o sorriso de uma andorinha, pois não consigo imaginar uma curva, num bico, que tenha o poder de melhorar o mundo) que o mais belo que essa capacidade lhe podia oferecer era conseguir ver o infinito do horizonte, quer no nascer, quer no pôr-do-sol. Conseguir distinguir o céu do mar, numa quente tarde de Verão! Acrescentou ainda que não menosprezasse as suas, pois Deus dá todo o tipo de asas: as que servem para voar (lenta ou rapidamente) e as que servem para sonhar…

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mundo Cinzento


Há falta de sonho,
Há falta de encanto!
O sonho de ser feliz,
O encanto de sonhar!

Almas tantas perdidas,
Sem vontade de viver,
Almas tantas esquecidas,
Esquecidas de amar!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Biologia(s) (?)


Objectiva. Luz.
    A câmara permanecia estática, sem movimento, vibração ou qualquer outro factor que pudesse alterar aquele estado de serenidade, de perfeição na ausência de movimento. Esperava pelos momentos certos, pelos instantes únicos que existem no decorrer do tempo; pelo raio de luz solar que iluminava sublimemente a gota de orvalho cintilante que escorregava da folha verde para o chão; pelo bater compassado das asas de um beija-flor que, tal como o nome permite concluir, voa sobre jardins perfumados, dando beijinhos às princesas do baile primaveril.
    Impaciente, a câmara largou um som como um «click» e captou uma imagem quase digna de ser chamada perfeita. Nesse instante, toda a essência da (im)possibilidade da futura/passada refeição do camaleão ficara gravada na fotografia. Toda a imagem englobava uma certa complexidade nascida da Natureza, uma esquematização do ecossistema e das interações entre as espécies.
    Mas não só o ambiente foi captado! Também a temporalidade da acção permanecera naquela «tela». Não é bem nítida para os que olham apenas. É necessário ver! É aquilo que ajuda algo a ser o que é; um estado provisório; está presente em todo o lado ao mesmo tempo, quase como Deus – omnipresente – mas nunca como ele – Perfeito.
    Podemos verificar que o Tempo não é perfeito… por vezes tem demasiada pressa e comporta-se como uma criança, inclinando-se para o caminho oposto daquele que deveria ser seguido. A pressa traz consigo a imperfeição e, por isso, pedi ao Tempo que tivesse calma, para ser possível a aproximação (embora escassa) à perfeição. E ele, teimoso, insistiu, como sempre, em ter pressa!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Concebido pela Natureza - para os mais pequenos


- Eu sou o Vento que tudo leva, que tudo traz. O que varre os frutos velhos e podres dos ramos pesados das árvores do Outono. Aquele que sopra fria e violentamente no Inverno arrepiando almas e enregelando corpos. O mesmo dos furacões, tufões e outras tempestades. O que mata! O que dá a Vida! Na Primavera, sou a brisa, sou o sopro da renascença da Mãe Natureza, ressuscito os bolbos e faço rebentar as sementes de túlipas, violetas e jasmins. Abro as fendas dos casulos das borboletas. Sopro para que as nuvens negras e escuras como as trevas fujam da abóbada celeste, deixando as duquesas de capa preta e peito branco viajar de longínquas terras para outras. No Verão, sou aquele por quem todos anseiam por sentir na praia, levemente, respirando-lhes calma e suavemente para enganar o calor. Sou o Vento, sem corpo e sem alma, ninguém me vê, todos me sentem.

- Ando escondido atrás das nuvens com medo de me molhar nas estações frias do ano. Raramente apareço e quando o faço todos ficam radiantes. Sou a alegria no desenho de uma criança feito em papel com lápis, marcador ou aguarela. O companheiro afastado e fiel da Lua – o único e incomparável Sol!

- Gosto muito de ti, caro Sol, mas escondo-me para descansar enquanto brilhas e, quando brilho eu, escondes-te tu para repousar. Sou cúmplice de mochos, corujas, morcegos e lobos. Tenho imensas amigas como tu que me ajudam a iluminar a noite escura. Quando estou cheia, sou mágica – transformo homens em lobos e mulheres em sereias! O poder lendário concentra-se em mim. Sou mentirosa…aparento ser um C quando na verdade sou um D. Muito prazer, Lua!

- Sou a Vida deste planeta. Sem mim haveria Inferno. Estou em todo o lado. Vagueio por mares, rios, lagos e atmosfera. O nosso amigo Sol aquece-me e leva-me a viajar até aos céus azuis que transformarei numa tela triste, cinzenta. Dou a volta ao Mundo, faço chover e nevar, trazendo a alegria de construir um boneco com nariz de cenoura na época do Natal. Congelo cidades, vilas e aldeias, obrigando-as a acenderem as suas lareiras para aquecerem os seus corações. Percorro vales e montanhas e aí há quem me recolha! Sou, segundo Tales de Mileto, a arche, a substância primordial. Ando também em cometas e, à medida que me aproximo da grande estrela, vou evaporando. Sou um dos sinais do amanhecer - o orvalho caído sobre as ervas e a relva de um jardim perfumado pelas que ajudo a nascer. Muito gosto, Água!

- Sou um mistério nas minhas profundezas, um mar de vida nos corais e uma fonte imensa de tranquilidade. Bem-vindos ao Mar. Sou aquele que origina as ondas e as faz rebentar bruscamente nos Invernos tenebrosos. Sou o berço das pérolas cobiçadas pelas senhoras muito chiques. Escondo mitos e lendas como o Adamastor nas minhas entranhas. Banho um manto dourado, constante e compassadamente nas praias. Sou uma fonte de desejos e desabafos que ajuda muitos desgostosos – engulo garrafas de vidro para as ensinar a nadar nas minhas correntes tumultuosas, levando-as ao encontro do seu destino.

Insónia

Fotografia da minha autoria
    Ouço um silêncio que me assombra nesta noite. O tiquetaquear do relógio faz-me tremer e leva o meu estômago a dar sinais de ansiedade. O crepitar de objetos perdidos no quarto, as asas de uma mosca, o deslizar do carvão no papel, a minha voz baixa e trémula que se deixa sair cansada.
    Ouço-o com mais e pormenorizada atenção: um segundo relógio – o relógio de pulso – que está nas gavetas ao fundo do quarto, um carro ou outro que passam na estrada longínqua e um nada, um zumbido fino e oco que me atravessa a cabeça da direita à esquerda, de cima a baixo, sem deixar rasto na minha imaginação…
    Ouço os sonhos dos sonhadores, os pensamentos dos pensadores… Ouço as estrelas a brilharem, o sol a explodir, a lua a cantar e o universo a expandir. Ouço os buracos negro
s a sugarem a luz e o barulho inexistente do cosmos, as galáxias jamais conhecidas, outros buracos negros, mais luzes, mais estrelas, luas, sóis e planetas. Tudo! E, ao mesmo tempo, Nada!
    Ouço-me a mim, o som mais difícil de ouvir, mais difícil de chegar, de encontrar. De entender.
    Fiz-me gritar. Sem som.
    E sem som, ao gritar, consegui ouvir-me!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Um resto de mim


E vem o céu azul e beija-me o rosto. E vem o sol dourado e aquece-me o olhar. E vem o som do mar, das ondas fortes, cheias de vida e de histórias e escrevem a minha alma... porque a minha alma é feita da poesia daqueles que a sentem e a dão ao mundo. E, às vezes, vem a saudade que me aperta tanto e eu não consigo passar por cima dela. (...) Converso com o mundo e ouço o que ele tem para me dizer. Sussurro-lhe aos ares os meus sonhos e deixo-os nascer. (...) A minha silhueta jaz na areia molhada e iluminada enquanto que as lágrimas que tenho dentro de mim me afogam por dentro.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Quando...


Quando algo se parte, mesmo se se tentar colar os pedacinhos todos, nunca mais será a mesma coisa.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Não deixes a poesia morrer



Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Deixa voar o que há em ti para as linhas ainda em branco e dá ao mundo a brisa rara das palavras que ele tanto precisa para respirar. Dá voz aos que estão calados, nas estantes, grita-lhes o seu nome, clama os seus versos incansavelmente até te faltar o ar no sangue. Lê, em voz alta, aqueles que te inspiram. Mais alto. Mais alto! Tens medo de quê? A poesia só te faz bem!
Se a poesia nasce no coração, abre o teu peito para o papel. Mas abre-o mesmo! Não tenhas medo de vozes, nem de pensamentos alheios. O que é alheio é lá com eles e tu não lhes pertences. Tu pertences a ti e ao teu mundo! Lê, escreve, reescreve, grita até, mas não deixes a poesia morrer. Não deixes os versos caírem no poço do esquecimento! Eles foram escritos para serem lidos, questionados, compreendidos, mas não para serem esquecidos!
Abre o teu peito e deixa-o sentir-se livre e confiante na pureza das folhas de papel. Não deixes, por favor, a poesia morrer!

sábado, 16 de janeiro de 2016

(L)ESTES


Já vos tinha falado do jornal (L)ESTES, da minha faculdade, por aqui.
Deixo-vos o link para a versão digital, se tiverem curiosidade! Estão disponíveis edições anteriores também!
Cliquem aqui: (L)ESTES

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

TUNA D'ESTES

A minha tuna do coração... Não é só por serem da minha faculdade, mas eles têm talento, e não é pouco! São incríveis e deixam-me sempre arrepiada! Conheçam-na (nenhuma fotografia, nem vídeos são de minha autoria):