segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Eu estou aqui...


Às vezes, um «Eu estou aqui!» faz toda a diferença... 
Às vezes, um «Eu estou aqui!» é toda aquela força que precisamos de ouvir e de sentir. 
É muito importante, não só no contexto que foi discutido numa aula - Doenças Oncológicas - mas também noutros conflitos que há em todas as nossas vidas, saber e sentir que podemos falar com alguém sem tabus sobre aquilo que nos atormenta.
Faz parte do ser humano partilhar as alegrias e construir a felicidade, mas sobretudo contar com alguém, não para nos lamentarmos de tudo e mais alguma coisa, mas para dividir aquele sofrimento que às vezes nos rói por dentro, aos poucos, quase sem darmos conta, e que mais tarde rebenta numa tempestade incontrolável de lágrimas, sabe-se lá onde!
É esse «Eu estou aqui!» (que muitas vezes não existe, ora por vergonha, ora por medo ou até mesmo por se achar que não é assim tão importante) que é o «gatilho» para um muito mais fácil processo, chamemos-lhe assim, de depósito de confiança em alguém! Porque muitas vezes calamos aquele grito preso na garganta pelo excesso de lucidez, pela consciência de que se começarmos a falar, vamos acabar a chorar, ou por aquela falta de coragem de chorar que muitos temos para aparentar a ausência de fragilidade, quando na verdade é ela que está mais presente! Escrevi uma vez e volto a escrever isto, porque acho que faz todo o sentido:
Frágeis somos porque nos derretemos em mágoas, tantas vezes desnecessárias, e engolimos de volta a água turbulenta que tenta sair pelos olhos.
Frágeis somos porque nos mentimos e desencantamos, quando não queremos ver, nem aceitar a verdade.
Frágeis somos porque tentamos enganar a vida e a morte, sem saber que são elas que nos enganam.
Frágeis somos porque caímos, vezes tantas, em calçadas cinzentas que pensávamos conhecer.
Frágeis somos porque nos afundamos, sem querer, em Mondegos perfeitos.
Frágeis somos porque amamos, porque sofremos e porque voltamos a amar.
Frágeis somos porque sonhamos. E o sonho é o nosso bem mais frágil.
Frágeis somos porque acreditamos. E a esperança e a fé não foram feitas para zombarem delas.
Mas, acima de tudo, frágeis somos porque achamos que a fragilidade não toca no Homem.
Frágeis somos e frágeis vivemos...

3 comentários:

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