sábado, 24 de outubro de 2015

Seria eu para sempre Mar


Mergulhei num mar que não é azul, nem cristalino, mas aconteceu numa praia de ondas perfeitas. Tropecei numa rocha escondida pelos meus olhos e caí na areia fria sem me magoar. Deixei-me ali, deitada, a saborear aquela brisa salgada que me beijava o rosto e me soprava os cabelos, caracóis de avelã pendurados que caíam pelas costas e dançavam ao som do marulhar, a música que o mundo criou para nós. A areia colava-se aos meus braços e às minhas pernas e eu sentia o sal a passar da pele para o sangue. A minha voz voava ao ritmo da minha imaginação e cantava poemas de uma (c)idade inventada e esquecida. Comecei a ouvir sussurros que não se calavam, vindos do horizonte, e continuavam, continuavam, até se tornarem gritos imperceptíveis que me explodiam a cabeça. Aproximei-me da água para os calar, mas gritavam cada vez mais alto. Desesperada, entrei na água. Dentro do mar, os gritos transformavam-se em cantigas doces e ternas! O mar era o Mar! O mar era o meu lar e seria ali que eu ficaria eternamente, a flutuar na espuma branca das ondas que davam à costa. Tornar-me-ia nas partidas e regressos constantes às arribas da terra da beira-mar. Seria eu para sempre parte do mar! Seria eu para sempre Mar!

2 comentários:

  1. É maravilhoso quando sentimos que determinado lugar é o nosso lar. Ali tudo é perfeito!
    Está incrível, adorei.

    r: Muito obrigada *.*
    O mar tem um encanto especial.
    Sem dúvida!

    ResponderEliminar

Obrigada pela tua visita :)