terça-feira, 27 de outubro de 2015

Carta a uma (c)idade



Coimbra, 25 de Outubro de 2015
Coimbra, querida cidade,
Impossível não esboçar um sorriso  num dia como este. Quando atravessávamos a Ponte de Santa Clara, virava-me para trás, de quando em quando, para respirar a beleza única que me chegava de ti e do teu rio. Ah, Mondego, sangue desta cidade lusitana. 
Coimbra, minha cidade, que felicidade é atravessar as tuas pontes, voar sob o teu rio, com a capa negra pesada aos ombros, relembrando momentos feitos de instantes de pura alegria. Que medo que nasce dentro de mim, do Amanhã, da possibilidade de ter de te deixar parada no tempo, naquilo que um dia será apenas a mais bela recordação que terei da minha juventude! Que medo antecipado que sinto neste meu coração ansioso e já nostálgico! Mas compreendo que assim tenha de ser. Nada, nem ninguém é eterno e basta-nos o tempo como prova. Todos os que por ti passam sentem a vontade de voltar atrás no tempo. Se tal fosse possível, perderias todo o teu encanto, pois deixarias de ser a eterna cidade que não é eterna. Tudo tem o seu tempo e tu terás o teu em cada vida que cruzas. Escolheríamos viver-te vezes sem conta até te gastarmos o significado e tudo ganharia uma cor cinzenta pela constância, por te repetirmos indefinidamente até nos esquecermos do peso que tens certamente na vida de cada um de nós. Tornar-te-ias quotidiano, algo constante, repetitivo e cansativo e acabaríamos por apagar essa tua luz que carregamos desde o dia em que te conhecemos.
A tua magia, feita de história, de pessoas e de tradição, ensina-nos o verdadeiro significado da Saudade! De ti, cidade, não quero guardar mais do que a mais incrível aventura que me proporcionarás nestes anos de estudante. Quando acabar (e vai acabar, assim como tudo na vida), vai custar. Sim, eu sei que vou sangrar lágrimas do coração até rasgar a alma. Mas serei para sempre tua, até morrer!
Escrevo-te com as mãos a tremer, os olhos a chorar e o coração a arder! Escrevo-te a sentir-te, aqui e agora, no presente, no instante em que te vivo, no passado do meu futuro.
Nunca conseguirei traduzir em palavras o que a minha alma sente. É simplesmente demasiado infinito para uma pequena caneta pintar entre linhas!
Que sejas o encanto de muitos, para sempre!
Com todo o meu amor e já Saudade,
Carolina Ferreira

sábado, 24 de outubro de 2015

Seria eu para sempre Mar


Mergulhei num mar que não é azul, nem cristalino, mas aconteceu numa praia de ondas perfeitas. Tropecei numa rocha escondida pelos meus olhos e caí na areia fria sem me magoar. Deixei-me ali, deitada, a saborear aquela brisa salgada que me beijava o rosto e me soprava os cabelos, caracóis de avelã pendurados que caíam pelas costas e dançavam ao som do marulhar, a música que o mundo criou para nós. A areia colava-se aos meus braços e às minhas pernas e eu sentia o sal a passar da pele para o sangue. A minha voz voava ao ritmo da minha imaginação e cantava poemas de uma (c)idade inventada e esquecida. Comecei a ouvir sussurros que não se calavam, vindos do horizonte, e continuavam, continuavam, até se tornarem gritos imperceptíveis que me explodiam a cabeça. Aproximei-me da água para os calar, mas gritavam cada vez mais alto. Desesperada, entrei na água. Dentro do mar, os gritos transformavam-se em cantigas doces e ternas! O mar era o Mar! O mar era o meu lar e seria ali que eu ficaria eternamente, a flutuar na espuma branca das ondas que davam à costa. Tornar-me-ia nas partidas e regressos constantes às arribas da terra da beira-mar. Seria eu para sempre parte do mar! Seria eu para sempre Mar!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Angústia


A angústia é viciante, sabiam?
Após aquelas duas tentativas de sair deste mundo, sem sucesso, sinto-me a coisa mais inútil à face da terra. Nem deixar de viver consigo!
Esteve aqui a pessoa mais importante para mim e eu não fui capaz de lhe falar. Só olhei para aqueles olhos aflitos e assustados e deixei-me chorar à sua frente. A minha fraqueza tinha acabado de acordar diante dos seus olhos. Mas eu já não conseguia mais. Já tinha feito o que tinha a fazer e já tinha amado o que me fora dado para amar... e foi mais do que suficiente. Eu é que fui fraca. Não consegui dizer nada. A minha voz tinha desaparecido e uma tosse seca e sem fim tomava conta de mim. Sentia-me a morrer, mas a minha vida insistia em ficar comigo! Ela deu-me a mão e contou-me a sua história. Esperava que eu a ouvisse e que não me sentisse mais sozinha. E não senti. Mas há coisas que sinto dentro de mim que não consigo explicar de maneira nenhuma. Aquela criação de ainda mais laços e toda aquela intimidade nua e crua, ali, naquele quarto de hospital, fez-me ver a verdadeira pessoa que ali estava. Alguém como eu. Alguém com sonhos apagados e realidades acesas na mente. Alguém que havia estado no mesmo lugar que eu, por motivos completamente diferentes, mas de estranha semelhança no modo de lidar com conflitos. A diferença é que ela é uma pessoa incrivelmente mais forte e determinada do que eu. Ela mereceu passar por cima de tudo e conseguir continuar. Mereceu cada instante de felicidade que lhe foi proporcionado depois. É uma mulher. Uma grande mulher!

*fictício

domingo, 18 de outubro de 2015

Para escrever


Às vezes, só precisamos de um motivo para escrever... Outras de um abraço e outras de alguém que nos parta o coração.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

sábado, 3 de outubro de 2015