domingo, 25 de janeiro de 2015

Recomeçar


Ela queria apagar memórias. Mas memórias não se apagam! Deterioram mentes e moem corações. Mas não se apagam! Tenta-se esquecer, mas a cicatriz não desaparece, apenas vai atenuando com o tempo... É difícil reviver momentos menos bons. É difícil perdoar! 

Mas é pior se não tentar seguir em frente. Se ficar estancada no passado, nunca conseguirá recomeçar! E é necessário que ande para a frente porque para a frente é que é caminho!

Precisa de alguém (porque nem todos conseguimos reerguer-nos sozinhos) para apagar o cabelo que lhe esconde o rosto e para aquecer o que de si gelou! Sente falta de um abraço quente de uma amizade!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Se não fosse a Música...


Já conseguiram imaginar a vossa vida sem Música?
É assustador tentar fazê-lo! 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Passado


Em tudo o que vivi, dei um pouco de mim... Perdi uma parte de mim!

Fim


Tudo na vida tem um princípio e um fim... e eu sabia que um fim estava por chegar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Coimbra


Obrigada, Coimbra, por TUDO!

Monstros


Como é suposto destruir um monstro sem te tornares num?
Como é possível destruir, seja o que for, sem nos tornarmos numa coisa má, fria e distante?
Quando alguma coisa te ataca, deves defender-te! Mas... e se não conseguires?
Atacá-lo, da mesma forma, seria um acto contraditório. Estarias a transformar-te na mesma besta!

Ficar quieta?
Também não! Não deves deixar que façam de ti uma vítima da tua própria vida. Não deves deixar que te façam acreditar que a morte é melhor que a vida. Nunca! Se isso acontecer, deves levantar-te imediatamente. Não podes deixar que algo te afecte a esse ponto. Não podes deixar que algo te leve a cometer o maior erro da tua existência.

Ignorá-lo?
Talvez seja a melhor forma... e, de todas as opções, a mais correcta, a mais válida, dentro das minhas perspectivas. O problema está em aprender a ignorá-lo. Especialmente quando ele insiste em lembrar que existe... Não é fácil fazer de conta que tudo está bem. Não é fácil camuflar o medo. Não é fácil dizer que é fácil. Mas com o tempo, talvez as coisas se tornem mais claras. Talvez o negro escuro possa atenuar para um cinzento neutro...

Há pessoas fantásticas, não há?


Há pessoas que o mundo devia conhecer.
Há pessoas que o mundo devia dar a conhecer a toda a gente.
Ainda há pessoas bonitas de alma - bonitas de alma no sentido em que deixam qualquer coisa para ver um sorriso em ti (e não apenas no teu rosto) e felicidade nos teus olhos; bonitas de alma no sentido em que param o que estão a fazer para te ajudar a esquecer os problemas e para te fazerem rir, acima de tudo!
Ainda há pessoas em quem podemos confiar!
Ainda há pessoas com vontade de fazer o outro feliz, ainda que o seu próprio mundo esteja a desabar.
Ainda há pessoas que dão o seu brilho, já quase esgotado, ao próximo.
Nasceram pessoas grandes, com um coração grande, para albergar as mágoas, as suas e as alheias. São essas pessoas que devem estar sempre cá dentro e pelas quais devemos estar dispostos a fazer tudo... porque elas seguram os seus problemas e fazem os dos outros voar! Elas suportam o seu peso elevado a mil! Elas dão-te palavras honestas, sorrisos francos e genuínos, mãos delicadas, prontas para te puxar do abismo e abraços quentes e reconfortantes quando mais precisas deles! Elas dão-te «miminhos» quando menos esperas e ouvem-te quando sabem que precisas de falar.
Felizmente, ainda há pessoas que nos dão vontade de continuar...
Felizmente, ainda há pessoas que te fazem pensar que vale a pena amar...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Morri a ouvir poesia


Eu morria e a minha neta lia as palavras que eu havia escrito em vida.
Eu morria e a minha neta contava-me as minhas histórias.
E ela não sabia a felicidade que me proporcionava naqueles momentos tão agoniantes. Eu estava a morrer e estava a morrer feliz! A minha neta estava a ler-me e estava a ler-me feliz! 
Eu tinha uma vontade inexplicável de lhe agradecer e dizer o quanto era bom morrer a ouvir poesia, mas as minhas forças não o permitiam. Não sei que expressão tinha em meu semblante... se caracterizava o meu estado de espírito maravilhado ou se transparecia as dores do meu corpo já velho e gasto. 
Não conseguia falar, nem mexer as mãos para agarrar as dela. Queria tanto oferecer-lhe um último sorriso e espantar as lágrimas que lhe choviam dos olhos, numa tempestade incontrolável e num desespero mudo! A sua voz tremia ao som da melodia de prosa e poesia molhadas de água pura. As suas mãos vacilavam, jovens, incertas e cheias de dúvidas para com a vida. O seu rosto, tão belo como o da sua mãe, brilhava num tom natural de quem tem coração de ouro! 
Os meus olhos seguiam-na, incansáveis e já nostálgicos, com medo de a perder! 
Percebi que eu não a estava a perder... ela é que me perdia a mim!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Efémero?


Queria que alguns momentos se tornassem infinitos e vivessem dentro de mim!
Apetecia-me imortalizar tantas pequenas coisas... sabem... aquelas coisas que não fazem sentido absolutamente nenhum, mas que quando partilhadas com a(s) pessoa(s) certa(s) são tudo para nós!
Tinha tanta vontade de entrelaçar recordações com os meus dedos, no meu coração, e deixá-las lá, para o colorirem quando a Saudade o desbota.
Gostava de guardar os sorrisos de amigos nos meus pulmões, para me ajudarem a respirar quando a tristeza me sufoca.
Adorava ter uma caixinha sem fundo dentro de mim para poder guardar pedaços (e)ternos de quem por mim passa.
Agora, enquanto escrevo a minha nova infância, gravo Coimbra no meu mundo, para que faça parte de mim, ou para que faça eu parte dela.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Frágeis somos


Frágeis somos porque nos derretemos em mágoas, tantas vezes desnecessárias, e engolimos de volta a água turbulenta que tenta sair pelos  olhos.
Frágeis somos porque nos mentimos e desencantamos, quando não queremos ver nem aceitar a verdade.
Frágeis somos porque tentamos enganar a vida e a morte, sem saber que são elas que nos enganam.
Frágeis somos porque caímos, vezes tantas, em calçadas cinzentas que pensávamos conhecer.
Frágeis somos porque nos afundamos, sem querer, em Mondegos perfeitos.
Frágeis somos porque amamos, porque sofremos e porque voltamos a amar.
Frágeis somos porque sonhamos. E o sonho é o nosso bem mais frágil.
Frágeis somos porque acreditamos. E a esperança e a fé não foram feitas para zombarem delas.
Mas, acima de tudo, frágeis somos porque achamos que a fragilidade não toca no Homem.
Frágeis somos e frágeis vivemos...

Amanheci


agarraram os meus braços e
amarram as minha pernas às
raízes da árvore que eu não escolhi

foi como um suicídio forçado

absorvi, contrariada e angustiada,
o sangue da planta

nas minhas veias corre uma
seiva velha, centenária
que me chupa a vontade
de ir mais longe

envelheci com as ervas
em dias gélidos e noites cerradas

perdi o jeito da Vida e
ganhei o gesto do Acaso

desfiz-me em flocos de neve
desfiz o mundo de lã
em pedaços de algodão

por fim
amanheci

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Primeiro pôr-do-sol de 2015



Dia 1 de Janeiro de 2015 assisti ao pôr-do-sol.
Já não o fazia há imenso tempo e começar o ano assim fez-me ter calma!
Falei com uma pessoa muito importante para mim que já cá não está há algum tempo (julguem-me!) e que me faz imensa falta... Pode parecer estúpido, mas faço-o porque a minha avó foi muito importante para mim e simplesmente não consigo acreditar (mesmo depois de tanto tempo) que ela já não está Aqui, Agora. Desabafei com ela e pedi-lhe para que as coisas más morressem!

Subi ao terraço da casa do meu padrinho e fiquei ali, sozinha, no silêncio, no frio, com os cabelos ondulados a dançar com o vento triste. Olhei para o mar, para o horizonte, para o céu. Havia tons de lilás a molharem-se na água salgada, como se o céu fosse uma AGUARELA. O sol estava cor-de-rosa. Ouvi o ar e o mar e as nuvens e o sol. Senti, falei, chorei, sorri. Tive Saudade. Tenho Saudade. Sinto-me perdida. Quando começo a chorar, não consigo parar.