terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Escrevo-me

Máquina de escrever do meu avô - Olivetti STUDIO 45
(Fotografia da minha autoria. Por favor, não a utilizar sem autorização prévia.)
Estou aqui. 
Sentada a escrever, no quarto habitado pelo Inverno... lembro-me de mim. As memórias escurecem. O papel está a conhecer-me.
Levo horas para encher toda uma folha. Penso e sinto e escrevo. Penso e sinto e escrevo.
As minhas mãos segregam a seiva que a folha, pálida e fria, necessita para viver. Os meus dedos, ansiosos por recordar, tremem ligeiramente na caneta macia.
Escrevo-me.
Letras pretas caem por fim onde têm de cair. Amarguradas algumas, indiferentes outras... mas sempre esperançosas as do presente! Porque se não fosse para continuar, o Sol já havia deixado de nascer para toda a Terra há muito, muito tempo.
Agora, estou no papel, em tinta, em aroma que flutua na história. Na minha pequena, pequeníssima história. Na minha insignificante história.
As palavras trouxeram-me magia. Sem querer, caí com elas num poço de segredos e mistérios. Fiquei!
Escrevo-me para continuar. Para amanhã sorrir com a aurora e descansar com o crepúsculo. Outra vez e outra vez! Para amanhã conseguir dizer Amanhã!

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