quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Preciso de chorar


Setembro de 2014
Preciso de chorar.
Parece que tudo na vida acontece de modo incompreensível. Não consigo perceber por que é que agora, precisamente nesta fase em que precisaria de estar mais descansada e concentrada, surgem as verdades, que eram antes metades, mas que agora não são apenas verdades inteiras. São problemas inteiros! Problemas sérios! Problemas que fingia não existirem nos últimos três anos. Passei três anos a mentir-me. A saber que estava a mentir a mim mesma. Mas continuei...
E hoje, a vontade das minhas vontades é fugir e é chorar e é gritar em silêncio no meu quarto. É abraçar-me sentada no chão frio. Quero «desaparecer» e nunca mais voltar.
Avó, ajuda-me. Sinto tanto a tua falta! Lembro-me cada vez mais de ti e tu já estás tão longe há tanto tempo. Já não te sinto comigo, como antes! Preciso de ti, da tua voz de avó e das tuas cantigas!

«Uma gaivota voava, voava,
Asas de Vento, Coração de Mar...»

Chora comigo, avó! Abraça-me com os teus braços sábios e quentes!
Quero gritar «Volta!», mas sei que é inútil. Quero a tua companhia. Quero ver-te a sorrir.
És tu quem está mais perto de mim, e mesmo assim... é de ti, de ti, quem eu sinto mais falta!
Perdoa-me!

sábado, 18 de outubro de 2014

Cantar por aqui


Estamos a preparar-nos para ir a mais uma actuação da Tuna!
Há entusiasmo escondido no hábito! São tantas as vezes que se vêem estudantes a cantar... mas não deixa de ter o seu encanto! Jamais! É um momento sempre tão cativante, tão cheio de alegria! Digo convicta que é um momento realmente vivo. Um momento de vida! Para nunca esquecer...
Sair de casa e deixar tudo lá! Levar o corpo e a alma para ouvir aquelas canções aquecedoras de corações estudantes! Levar o nosso sorriso para espalhar a nossa essência e a nossa voz para pintar a música.
No Auditório da Faculdade, vozes imensas cruzam entre si, formando um emaranhado incompreensível. Aquele ruído de fundo que nos leva por momentos a reflectir sobre tudo. Tudo, tudo! A ansiedade criada pela espera daqueles momentos que nos deixam realmente felizes chega à nossa pessoa! E ali ficamos, a aguardar pelo vento de melodia eterna.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

(En)Cantos de Coimbra


Antes de mais nada... Música!
Sons tradicionais que voam pelo ar de Coimbra. Pessoas vestidas de negro, com o seu traje académico. Negro predominante... Nunca gostei tanto de preto como agora. Admiro-o e quero tê-lo colado a mim, juntamente com uma felicidade que todo o estudante de Coimbra veste. Quero Coimbra!
Ontem sabia que Coimbra existia. Hoje, sei que respiro Coimbra e por isso vivo Coimbra. Amanhã, sentirei já saudades desta «cidade dos doutores» e «cidade dos amores».
Pergunto às ruas e avenidas por segredos remotos... e não obtenho resposta. Talvez por não ser esse o objectivo... Talvez sejamos nós o segredo dos segredos escondidos na calçada antiga e sábia. No entanto, há uma brisa matutina que me beija o rosto e me sussurra qualquer coisa, mas que nunca entendo... porque não são palavras. São pedaços de memórias que vagueiam por lá...
Com o tempo, hei-de conseguir desvendar esses sussurros que me dão alento e vontade de continuar. Hei-de perceber se é a cidade que de facto é imortal e encanta todos os seus visitantes ou se é apenas a História que faz dela o mito que Hoje permanece no «peito ilustre lusitano»...
As ruas clássicas e inclinadas parecem não ter fim e as paredes gastas, sujas, mas vivas conhecem mais lendas e outras histórias do que qualquer outro alguém.
Não sabia que era possível ter tanto amor a uma cidade... Mas é! E ainda bem. Que bom que é ter um segundo berço - o da alma. Nasci em Torres Vedras, o meu corpo é de lá... mas a minha alma, essa, ficou parada no tempo quando CONHECEU Coimbra... Tanta cultura, tanta beleza! Sinto-me segura! Também não sabia que era possível sentir-me «em casa» tão longe do meu verdadeiro lar. Mas senti-me bem!
Espero, honestamente, conseguir manter este espírito vivo e com a chama da felicidade acesa ao longo desta que me parece ser uma das mais belas jornadas da minha vida.
E assim dou início a mais um caderno de escrita... o seu nome está ainda por definir mas penso que este («(En)Cantos de Coimbra») parece adequado!