terça-feira, 8 de julho de 2014

Demos passos na rua

Numa rua fantástica, onde gosto de passear
(Fotografia da minha autoria. Por favor, não a utilizar sem autorização prévia.)
Demos passos na rua. Voltámos a repetir as sequências inconscientes de pegadas no alcatrão derretido da estrada.
Tentámos recuperar histórias enterradas pelo peso do tempo.
Descobrimos que o tempo é a ideia abstracta mais pesada que ataca a memória das pessoas, sem avisar, levando-as consigo e transportando-as para o esquecimento. Voltámos para casa.
Rasgámos o papel de parede e riscámos o chão. Encontrámos o pisa-papéis dentro do baú, castanho e velho, que descansava no terceiro canto do lar. Abrimos a janela e colocámo-lo no parapeito para apanhar ar fresco e sol.
O tempo vinha e matava. O tempo vinha e fecundava.
Demos passos na casa. Demos passeios no jardim. Da relva via-se a janela do escritório aberta. Não podíamos vender a casa! Era de família. Fazia parte da família. Estava lá a nossa história.
Fechámos a janela. Fomos embora com saudades dos tempos que não vivemos. Chorámos. Demos passos na rua.