segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pisei uma flor amarela


Pisei uma flor amarela. Pisei uma flor amarela igual à que um menino pediu à mãe para apanhar quando passeava com ela na rua, de manhã, a caminho da escola. O menino disse à mãe que a flor era para oferecer à Madalena. A mãe deu uma gargalhada intensa, mas amorosa. Pisei uma flor amarela, caída na calçada, murcha, com as pétalas sem força, desmanchadas na escuridão da chuva.
Olhei para o céu e vi nuvens de um branco tão branco que se assemelhavam ao Olimpo, de uma pureza tão paradisíaca, de uma perfeição tão única nas suas formas cheias de curvas, de caracóis definidos e infinitos... O sol estava escondido. Ía chover. Toda aquela água no céu não se aguentaria por muito mais tempo. O algodão, suspenso e fofo, desfazia-se em bocadinhos, dispersando-se vagarosamente no cinzento mais claro do céu.
Ao andar, com a pressa quotidiana e o cansaço permanente, sentia os meus pés a arrastarem-se morosamente. Encontrava pelo caminho folhas de Outono, no Verão. O fim do fim aproximava-se melancolicamente do mundo. Não havia nada no ar. Não havia esperança, não havia felicidade, não havia vida. Faltava aquilo que fazia falta a tudo.

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