quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ajuda


-Tens a tristeza nos olhos, querida!
-Eu sei, tia...
Abraçaram-se com a força de um trovão e a sua tempestade abrandou. Nunca tinha pensado em falar com alguém, em pedir ajuda...até que chegou o dia em que não aguentou mais... ela sabia que algo não estava bem, só não sabia o quê. Aquilo que ela questiona há meses e aquilo que sofre há anos tinha de ter um fim... mas ela não o conseguia encontrar sozinha! Sabia que estava a ir por caminhos que não devia e que, se estes fossem para ser mudados, já o deveriam ter sido. Ora, se não mudaram até ali, não seria agora nem depois que iriam mudar. O que estava a acontecer era precisamente o contrário.
- Mas o que é que tens, amor? Tu tens tudo para ser feliz!
- Pois tenho, tia! E eu sei disso... Só que eu já não estou bem há muito tempo e talvez seja esse o motivo da minha indisposição...
- Mas não estás feliz?
- Estou!
- Então, o que se passa?
- Eu estou bem, mas...
- E di-lo com os olhos em lágrimas?
- Estou bem, isto passa!
Mas não passava... e as lágrimas de dia escondiam-se atrás do seu sorriso, afogando a sua alma. As da noite salgavam os seus olhos até arderem, sem ar para respirar.
- Eu estou aqui... Posso ouvir-te!
- Deixe estar, tia. Não se preocupe.
E as lágrimas caíam-lhe pela face num desespero mudo!
- Desculpe!
- Não tens que me pedir desculpa, querida!
A tia Luísa ofereceu-lhe um sorriso e ela ficou muito triste por não ter conseguido retribuir a mais bonita forma de um rosto humano.
E era tão triste estar triste! Ter água nos olhos e no coração e não conseguir fazê-la parar de sair. Ela sabia reconhecer recaídas... quando não se aguentava na escola, um fim estava para chegar. Geralmente, conseguia guardar as lágrimas quentes para a noite. Quando isto não acontecia, um dos seus velhos novos limites estaria perto...
Mas começava a pensar que até os limites têm limite! E ela precisava de ajuda para não chegar perto deste último.

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