segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Queimei o passado


    Rasguei em mil e três pedacinhos o que tinha escrito até então. Elaborei um puzzle com aquelas peças cheias de palavras de todos os tipos. Sentia-me tão presa a todos aqueles acontecimentos…  apercebi-me disso pela melancolia que me perseguia mais intensamente do que a minha própria sombra.
    Aproveitei um dia em que a lareira estava acesa. Agarrei em todo o meu passado escrito em prosa e lancei-o às chamas… que sensação estranha! Boa e má. Aquelas eram as minhas palavras! Senti o fogo ardente a queimar parte de mim… mais tarde percebi que o que de mim foi queimado não prestava. Parasitas e manchas negras foram destruídos pela quente fonte de luz.
    Senti, pela primeira vez, um desconforto reconfortante! Largara ali, como quem larga um monstro nas trevas, o eu que tinha sido no passado e o que tinha sonhado, sentido e vivido. Destruí-me para me poder conseguir (re)construir.

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