segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Quando eu morri


    Manhãs desoladas. Tardes contagiadas pelas manhãs. Dias assim.
    Decidi que, para estar como estava, mais valia fugir de mim, sair da minha cabeça por um tempo razoável e deixar-me. Deixar o meu ser. E consegui!
    Quando eu morri, vi os meus olhos a perderem o brilho que já não tinham. Ouvi a minha voz que já não falava. Respirei o suspiro inexistente e ouvi também o meu coração que já não batia. E, por mais estúpido que alguém possa ser, o que tinha acontecido era óbvio. Eu tinha morrido. Sem vida, sem nada – era eu; e aquilo era a Morte! Mas eu continuava a pensar e a ver-me. Estava deitada no chão da casa-de-banho. Era eu! No chão duro e frio. No gelo do desamparo e na dureza da vida morta. (…)
    Afinal, quantos de nós sabem o que é viver?

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