quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Mariposa


   Abriu as asas. Voou sublimemente. Pousou na dourada poeira de pólen de uma margarida, devagar. Sem pressas nem stress. Sem a fadiga que os humanos sentem para chegar a todo o lado, a toda a hora! Apenas com calma, serenamente. Depois, voltou a voar (desta vez, com as suas patas minúsculas cheias de um néctar sumarento).
   Encontrou então uma andorinha que levava no bico alimento para as suas crias e decidiu perguntar-lhe qual a sensação de voar com tal rapidez e perspicácia. Ela respondeu-lhe com um sorriso (seja como for o sorriso de uma andorinha, pois não consigo imaginar uma curva, num bico, que tenha o poder de melhorar o mundo) que o mais belo que essa capacidade lhe podia oferecer era conseguir ver o infinito do horizonte, quer no nascer, quer no pôr-do-sol. Conseguir distinguir o céu do mar, numa quente tarde de Verão! Acrescentou ainda que não menosprezasse as suas, pois Deus dá todo o tipo de asas: as que servem para voar (lenta ou rapidamente) e as que servem para sonhar…

1 comentário:

  1. Tão bonito! E à medida que vamos lendo, parece que sentimos cada pormenor a acontecer.

    r: Sim, pode ter essa dualidade. Muito obrigada!

    ResponderEliminar

Obrigada pela tua visita :)