sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Concebido pela Natureza - para os mais pequenos


- Eu sou o Vento que tudo leva, que tudo traz. O que varre os frutos velhos e podres dos ramos pesados das árvores do Outono. Aquele que sopra fria e violentamente no Inverno arrepiando almas e enregelando corpos. O mesmo dos furacões, tufões e outras tempestades. O que mata! O que dá a Vida! Na Primavera, sou a brisa, sou o sopro da renascença da Mãe Natureza, ressuscito os bolbos e faço rebentar as sementes de túlipas, violetas e jasmins. Abro as fendas dos casulos das borboletas. Sopro para que as nuvens negras e escuras como as trevas fujam da abóbada celeste, deixando as duquesas de capa preta e peito branco viajar de longínquas terras para outras. No Verão, sou aquele por quem todos anseiam por sentir na praia, levemente, respirando-lhes calma e suavemente para enganar o calor. Sou o Vento, sem corpo e sem alma, ninguém me vê, todos me sentem.

- Ando escondido atrás das nuvens com medo de me molhar nas estações frias do ano. Raramente apareço e quando o faço todos ficam radiantes. Sou a alegria no desenho de uma criança feito em papel com lápis, marcador ou aguarela. O companheiro afastado e fiel da Lua – o único e incomparável Sol!

- Gosto muito de ti, caro Sol, mas escondo-me para descansar enquanto brilhas e, quando brilho eu, escondes-te tu para repousar. Sou cúmplice de mochos, corujas, morcegos e lobos. Tenho imensas amigas como tu que me ajudam a iluminar a noite escura. Quando estou cheia, sou mágica – transformo homens em lobos e mulheres em sereias! O poder lendário concentra-se em mim. Sou mentirosa…aparento ser um C quando na verdade sou um D. Muito prazer, Lua!

- Sou a Vida deste planeta. Sem mim haveria Inferno. Estou em todo o lado. Vagueio por mares, rios, lagos e atmosfera. O nosso amigo Sol aquece-me e leva-me a viajar até aos céus azuis que transformarei numa tela triste, cinzenta. Dou a volta ao Mundo, faço chover e nevar, trazendo a alegria de construir um boneco com nariz de cenoura na época do Natal. Congelo cidades, vilas e aldeias, obrigando-as a acenderem as suas lareiras para aquecerem os seus corações. Percorro vales e montanhas e aí há quem me recolha! Sou, segundo Tales de Mileto, a arche, a substância primordial. Ando também em cometas e, à medida que me aproximo da grande estrela, vou evaporando. Sou um dos sinais do amanhecer - o orvalho caído sobre as ervas e a relva de um jardim perfumado pelas que ajudo a nascer. Muito gosto, Água!

- Sou um mistério nas minhas profundezas, um mar de vida nos corais e uma fonte imensa de tranquilidade. Bem-vindos ao Mar. Sou aquele que origina as ondas e as faz rebentar bruscamente nos Invernos tenebrosos. Sou o berço das pérolas cobiçadas pelas senhoras muito chiques. Escondo mitos e lendas como o Adamastor nas minhas entranhas. Banho um manto dourado, constante e compassadamente nas praias. Sou uma fonte de desejos e desabafos que ajuda muitos desgostosos – engulo garrafas de vidro para as ensinar a nadar nas minhas correntes tumultuosas, levando-as ao encontro do seu destino.

2 comentários:

Obrigada pela tua visita :)