segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Avó


    Avó!
    Estou tão diferente. Sinto-me diferente daquilo que era, quando tu eras tu. Não sei se te lembras… Gostava que me visses agora, avó! Gostava que olhasses para mim, que visses os meus olhos, que admirasses o meu cabelo, como todas as avós fazem, e que me falasses (não me importa muito o que dirias, só o facto de ouvir a tua voz deixar-me-ia feliz.).
    Dói-me o peito. Seria uma pessoa muito melhor se ainda aqui estivesses. Aqui. Aqui!
    Eu queria chorar livremente, gritar para os pulmões do mundo a minha dor e chamar-te. Chamar-te Avó, a grande mulher da minha vida. Eu sei que me ajudas. Sou feliz porque me ajudaste a sê-lo! Sei, hoje, que me ouviste quando te pedi para me ouvires, quando não conseguia confiar em mais ninguém. E tu ouviste. E eu não sabia se me estavas a ouvir.
    Sabes a falta que fazes. Sabes que, naqueles dias, tenho uma vontade enorme de te visitar aí, onde estás, e já não voltar. Mas depois penso… e tu sabes que, para além de ser cobarde, tenho medo!
(…) 
    Queria tanto falar contigo. Mas não consigo ouvir a tua voz longinquamente perto. Não consigo ver já os teus olhos escuros que outrora foram claros. Não consigo imaginar o teu corpo sem ti, sem o teu eu. Sei que foi a partir daquele dia que fiquei com um enorme horror à palavra que me pediram para te dar e que eu recusei com as lágrimas que ainda me restavam! Era o Adeus! E eu não queria oferecer-te essa palavra tão feia, tão má! E não ofereci! Jamais diria algo assim a alguém tão importante para mim!
    Sabes, avó, nunca to disse (talvez até porque na altura não me apercebia claramente)… mas tu tinhas (e ainda deves ter) uma fé inabalável. Lembro-me do último dia em que te vi. Foi num dia cinzento, cinzento. Chovia e estava frio! Depois desse, já só em sonhos e pesadelos! Sonhos em que estavas connosco novamente a sermos felizes. Pesadelos em que revivia tudo novamente e em que acordava a chorar, numa aflição descontrolada, com medo de tudo, sem saber de nada!

1 comentário:

  1. Uma declaração de amor comovente e incondicional.
    Enquanto te lembrares dela, a tua avó não morreu.
    Um beijo, Carolina.

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Obrigada pela tua visita :)