sábado, 15 de abril de 2017

Dia de Inverno

Há dias em que a minha única vontade é desistir de tudo. Porque desistir seria muito mais fácil. Difícil é continuar a lutar por uma coisa que já quase que não acredito ser possível. 
É muito difícil dizer «Não. Não quero continuar a lutar.» a um sorriso e a um coração que me ajudam. Dizer que não quero continuar nesta batalha, que já chega, que estou cansada, esgotada, exausta emocionalmente.
Não o estou a fazer totalmente por mim, porque de mim, já pouco ou nada me importa. Mas tenho de fazê-lo por alguém e, às vezes, esse alguém, admito, devia ser eu. Mas não sou. E isso dificulta-me as coisas porque às vezes dou por mim a pensar em coisas que não devia. O que me faz continuar nisto é saber que tenho pessoas do meu lado que me apoiam e que acreditam que eu sou capaz, que eu vou conseguir, que um dia eu hei-de ficar boa. Essas pessoas, do meu coração, acreditam mais, mas muito mais em mim, do que eu. Não sei como o fazem! E é por elas que, muitas vezes, me levanto e digo "Vamos lá!" a mais um dia.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Reflex(ã)o

Não se morre por dentro, por enquanto. Já se morreu, em tempos. Digamos que, presente e interiormente, se está numa transição de Inverno cerrado para uma Primavera que um dia há-de ser bonita, mas que está ainda na sua fase de preparação para o tão esperado florescer.

Uma coisa é saber que se tem um Inverno cá dentro a crescer cada vez mais, alimentando-o todos os dias com pensamentos e comportamentos demasiado cinzentos e, mesmo assim, querer mantê-lo.

Outra muito diferente é saber que se tem este frio que, embora não se veja por fora todos os dias, corrói a vontade de ser e de estar e, mesmo sabendo que o caminho terá picos de pequenas conquistas e derrotas, querer sair desse gelo, quebrar o vidro que separa uma realidade da outra e aglutiná-las numa só. Tentar ver e perceber o porquê desta maneira de pensar e reconstruí-la de forma saudável.

Escrevê-lo e lê-lo assim, parece uma coisa tão simples, tão fácil de perceber e de resolver sozinha. O problema é que sozinha não se quer ver as coisas assim. Sozinha, ver as coisas assim, significa ir contra tudo o que se pensa e se faz todos os dias com a energia que, embora pouca, é suficiente para andar para aí a vaguear. Sozinha, é muito difícil sair e muito fácil voltar atrás para continuar a ser como era. E a prova disso é o facto de eu nunca antes ter conseguido chegar sozinha onde consegui chegar este ano com ajuda. Ainda não cheguei nem a metade de onde se tem de chegar, mas um dia isso vai acontecer!

Mais do que querer mostrar que não se tem medo, quer-se não tê-lo. Ou, pelo menos, ter coragem para o enfrentar e conhecimento para o racionalizar e controlar.

Não ter medo daquilo que me reflecte, nem do meu reflexo, nem das minhas reflexões.

Existem altos e baixos como é natural. Os baixos doem, não sei dizer exactamente onde, mas doem com uma tal força desnecessária que, se estivesse sozinha, muito provavelmente deitaria tudo a perder novamente para voltar à estaca zero. Os baixos dão vontade de desistir, vontade de voltar atrás para nunca ter pedido ajuda e vontade de desaparecer. Mas é preciso confiar no trabalho de quem ajuda e acreditar no nosso progresso feito com o nosso esforço. Esta ajuda ensina, entre muitas outras coisas, a perceber que pensamentos não são factos e que aceitar isso como verdade, por mais estranho e difícil que possa ser, é a direcção mais correcta do caminho a percorrer.

Caminho esse que tento fazer todos os dias, com ou sem sucessos, sabendo que tenho ao meu lado quem me abriu e continua a abrir os olhos, quem me diz a verdade, mesmo que doa, e quem me dá os puxões de orelhas que forem precisos. Verdade? A vocês, que sabem quem são, agradeço-vos do fundo do meu coração, desde os gestos que vos parecem demasiado simples, mas que para mim valem ouro, até às gargalhadas e sorrisos que me enchem a alma e pintam o dia!
Com um carinho muito especial,
Carolina

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O meu coração...

Fotografia tirada por mim.
O meu coração é todo Poesia!
O meu coração é metade Sophia!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Palavras


Minha querida,
Não sei que tamanhas dores tinhas dentro de ti para fazeres o que fizeste. Mas sei que o teu coração estava cheio dessa tua beleza, tranquilidade e doçura. Sei que o teu coração estava cheio de poesia para dar ao mundo!
Se eu imaginasse que a tua dor (que eu sabia que existia) era tão grande assim, ter-te-ia dado as mãos, olhado para ti e ter a certeza que sabias a verdade - que és única e que nada te deveria manchar essa pureza e essa bondade. Que nada nem ninguém te deveria roubar a genuinidade! Devia ter-te dito que eu estava aqui, ou aí, sempre para ti! Devia ter-te dito que estava tudo bem! Devia ter-te dado aquele chi-coração de que tanto falas, gostas e distribuis por quem te rodeia! Não vou conseguir deixar de pensar nos «se». Mas agora já não te tenho para me fazeres uma pessoa mais alegre. Já foste para um lugar onde essa dor não te atinge. Já não te tenho aqui, à minha frente, a melgar-me o juízo daquela forma doce e ternurenta que só tu sabias. O (meu) mundo ficou mais vazio, mais só, mais pobre e mais triste sem ti. Fazes falta! Tenho saudades tuas! Uma eterna saudade deixarás neste mundo.
Só não queria que tivesse sido assim. Tu sabias que podias falar comigo! Podias ter-me pedido o que quer que fosse. Só não queria que tivesse acabado assim. Podias agora estar aqui a dar-me mais um dos teus chi-corações que nunca acabam. Podias estar a ensinar o mundo a ser feliz. Não consigo imaginar o que sentias, para o teres feito desta forma. Agora, só tenho palavras escritas e lágrimas para dar ao papel em tua memória! 
Eras e sempre serás uma pessoa magnífica!
Estarás para sempre no meu coração.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Apneia


Pego, tremendo, numa tesoura fria de metal que estava pousada na secretária do escritório e levo-a comigo, assustada, para a casa de banho, onde me escondo do espelho todos os dias. Estou descalça e o chão está duro e frio. Tenho os olhos fechados e o coração semicerrado, entre aquilo que deve estar e aquilo que não pode. Fecho a porta, apesar de estar sozinha em casa. É uma sensação de segurança diferente. Sento-me, por segundos eternos, no tapete cinzento em frente ao chuveiro e penso em nada. Apenas ali, de olhos abertos, mas sem ver nada. Levanto-me. Respiro fundo e olho para o espelho sem vontade, com medo e de olhos molhados. Vejo quem está à minha frente e agarro numa madeixa grossa, volumosa, de cabelo castanho ondulado com uma mão. Com a outra pego na tesoura, de repente tão pesada, e abro-a por cima dessa madeixa. Sem respirar, apneia nascida da angústia, aperto os meus dedos contra a tesoura e ouço, compassadamente, mil e um cortes minúsculos a darem à luz mechas de cabelo perdido. Silêncio silencioso senti dentro de mim, como se o som desses mil e um cortes minúsculos tivessem morto todo o tipo de som do mundo. Não ouvi mais nada até ao próximo corte. Agarrei noutro par de ondas e apertei a minha mão, desta vez confiante, contra a tesoura. E mais uma vez. E outra. E outra. Até esquecer quem fui. Até esquecer quem sou.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

O meu coração é todo Poesia!

Fotografia da minha autoria.
Sabes que não vives sem uma coisa, se não aguentas ficar sem ela durante um dia.
O meu coração também é das Letras!

domingo, 3 de abril de 2016

sábado, 2 de abril de 2016

Mil cigarros

Fotografia da minha autoria.
Mil cigarros e um amor para te esquecer. 
Mil cigarros e um beijo para te fazer desaparecer.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Sépia


Estava a fumar.
No parapeito da janela do seu escritório, estava a fumar. 
E como era elegante a sua silhueta e a sombra do fumo que saía da sua boca, como se dela fizesse parte!
Voltou para dentro, sentou-se na sua cadeira negra de escritório e acabou o cigarro sentada, de lado para a mesa, com a sua pose característica de fumadora. Aquela imagem era digna de ser memorizada. Digna de uma fotografia a preto e branco ou sépia!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Os anjos não caem do céu. Caem da terra... da terra para o céu!



Meu doce, Não tenhas medo de chorar. Arranca o que há de dor nesse coração, porque é na dor que aprendemos a ser tristes e ninguém quer ver um coração cinzento e molhado no lugar da felicidade! Mas não podes ter medo de chorar. Não guardes aí dentro o que tem, inevitavelmente, de sair. Não imaginas o quanto eu queria estar aí, a explicar-te estas coisas e outras tantas sem sentido, só para te ter nos meus braços, enroscadinho no meu colo, com esse cabelo de mel entrelaçado nos meus dedos. As memórias permanecerão memórias no teu coração. Isso ninguém te poderá tirar! Começarás então a perceber que o mais precioso que tens dentro de ti é aquele novelo de pequenos e grandes momentos que viajam contigo para todo o lado, para sempre. O tempo dir-te-á que a saudade não desaparece nem atenua, mas o teu modo de ver o mundo vai sendo cada vez mais maduro e percebes que não há nada que possas fazer para combater a inevitabilidade da passagem do tempo. Perceberás que o tempo passa por todos nós, deixando marcas e cicatrizes, mas também construindo histórias bonitas, fazendo com que as vidas das pessoas sejam uma espécie de onda sem fim definido, com altos e baixos, estes também inevitáveis, mas que fazem parte da nossa aprendizagem neste longo caminho. Não deixes que essa água que não choras te afogue sem te dares conta! Às vezes, precisamos mesmo de a deitar fora para conseguirmos respirar e falar novamente. Deixa os pulmões do mundo soprarem aquela leve e terna brisa que te levanta do chão como se uma pena fosses. Vai chegar o dia em que também tu serás um anjo a cair da terra para o céu! E nesse dia, eu estarei lá para te dar a mão e sorrir para o tempo, que então não será mais tempo, mas sim uma doce eternidade. Estarei lá para te receber nos meus braços vezes sem fim. Estarei (e estou, embora não consigas perceber) viva. Viva em ti! Viva no teu coração! Até um dia, meu doce!